Com a política econômica atual alcançando uma taxa Selic histórica de 3% ao ano, combinada com um IPCA/IBGE em abril de -0,17%, buscamos compreender melhor o que mudou na percepção e expectativa dos pesquisados em relação a investir no mercado imobiliário. Compartilhamos a seguir os resultados que encontramos.
PERFIL DOS INVESTIDORES QUE PARTICIPARAM DA PESQUISA
Em relação à experiência dos entrevistados com investimento em imóveis, 30% ainda não são investidores do segmento e 3,3% são muito experientes, com mais de 10 investimentos em imóveis. Os iniciantes, que fizeram até 3 investimentos, respondem por quase metade dos pesquisados (46,7%), completando com os 20% de experientes que realizaram entre 4 e 10 investimentos em imóveis. Os resultados obtidos com a pesquisa refletem, portanto, as diferentes percepções sobre a oportunidade de investir no mercado imobiliário e ajudam a mapear as principais dúvidas, certezas e lacunas de informações a serem tidas em conta por especialistas no ramo.

Metade dos respondentes está na faixa etária entre 46 e 55 anos. Apenas 6,7% deles possuem entre 26 e 35 anos e 23,3% têm mais de 55 anos. Os 20% restantes compõe o grupo entre 36 e 45 anos. Isso permite comparar as diferenças de percepções sobre o investimento em imóveis com o correr dos anos de vida.
Tratando da ocupação dos pesquisados, predominam 3 grupos com pesos parecidos, que totalizam 90% da amostra: profissionais liberais, empresários e funcionários públicos. Os 10% se dividem entre aposentados e executivos. Diante desse quadro, ficam melhor retratadas nesta pesquisa as percepções dos 3 grupos destacados, que respondem respectivamente por 33,3%, 30% e 26,7% dos pesquisados.
Apesar de ter sido incluído um conjunto de respondentes residentes nos EUA e em outros países, 96,7% deles residem no Brasil. Para capturar as percepções sobre investimentos em imóveis de brasileiros que residem no exterior será necessário, portanto, replicar a pesquisa com esse foco específico.
Por fim, o perfil dos respondentes teve predomínio de pessoas do sexo masculino (86,7%). Também aqui cabe avaliar uma nova replicação do estudo para refinar a percepção e envolvimento das mulheres no que diz respeito aos investimentos em imóveis.
RESULTADOS DA PESQUISA
O ponto de interesse inicial da pesquisa era se havia um reconhecimento da necessidade de rever as opções de investimento tradicionais em renda fixa, considerando a queda dos juros aos mais baixos patamares históricos do País. Na avaliação dos respondentes, sim, há uma clara percepção dessa necessidade, com potencial de se acentuar. 10% concordam totalmente com a afirmativa. Curioso que essa tendência somente divergiu no caso dos residentes fora do Brasil, possivelmente pela comparação com os juros próximos a zero praticados em países estrangeiros.

Outro ponto de interesse foi confrontar as alternativas de investimento em renda variável, cujo risco é majorado pela alta volatilidade dos papéis negociados em bolsa. No sentido contrário à tendência observada na renda fixa, aqui a percepção dos entrevistados é de menor exposição a essa opção de investimento. 10% deles discorda totalmente da afirmativa. Há 20% que concordam moderadamente com a afirmativa, predominando as faixas etárias de pessoas mais velhas, com mais experiência de vida e conhecimento dos altos e baixos do mercado de capitais. Novamente diverge a percepção dos respondentes estrangeiros, que solitariamente concordaram totalmente com a afirmativa, o que tende a refletir seja a impossibilidade de desconsideração dessa opção no exterior ou sua percepção mais sedimentada dela como investimento de longo prazo
Sobre a opção de investir em imóveis, a percepção em relação ao cenário se mostra com tendêcia de maior concordância. 10% dos pesquisados concordam totalmente que o cenário atual é propício para fazer esse investimento. Apenas 26,6% discordaram moderadamente.
Também sobre a percepção dos respondentes sobre o quanto o investimento em imóveis oferece maior proteção em momentos de crise, observa-se uma concordância ainda mais acentuada. 33,3% deles concordam moderada ou totalmente com a afirmativa, ficando clara a opção para compor uma carteira segura.

Confirmando a percepção de proteção oferecida pelo investimento em imóveis, a visão predominante dele se basear numa estratégia de médio-longo prazo não só é coerente como explica a percepção anterior. Quase 50% concordam totalmente com esta afirmativa.
Dadas as diferentes experiências com investimento em imóveis, buscamos compreender melhor a percepção dos entrevistados quanto à complexidade e dificuldade para exercer a opção da compra de um imóvel. Apenas 13,3% discordaram da afirmativa, ficando claro que a maioria reconhece a existência de um considerável volume de informações e processos que precisam ser tratados para adquirir um imóvel, o que torna essa opção complexa e difícil para 43,3% dos respondentes. Vale destacar que desses, 92,3% ainda não investiram ou investiram em até 3 imóveis, ou seja, têm nenhuma ou pouca experiência.
De forma também muito coerente com a resposta anterior, os respondentes reconhecem amplamente o quanto estar assessorado profissionalmente é imprescindível para fazer bons investimentos imobiliários. Afinal, uma assessoria profissional agrega sua experiência para tornar o processo menos complexo e difícil para o investidor. 46,6% concordam totalmente com a afirmativa e apenas 10% discordam moderadamente dela, sendo que 100% desses já fizeram até 3 investimentos em imóveis.

Há um conceito considerado por alguns como ultrapassado nos dias atuais que é a regra de ouro da locação, quando o valor do aluguel mensal de um imóvel remunera o proprietário em 0,5% do seu valor de mercado. Nesse sentido, a percepção dos respondentes indica que esta referência se torna bastante atrativa no atual cenário de taxa Selic no seu valor histórico mais baixo, caracterizando a locação que alcança valores iguais ou superiores a como um bom investimento. Curioso que, dos que concordaram totalmente com a afirmativa, 75% são empresários que fizeram até 3 investimentos em imóveis.

Por fim, a pesquisa levantou a percepção dos respondentes sobre 4 estratégias de investimento em imóveis, cujos objetivos diferem em termos de risco e retorno. A primeira estratégia pesquisada foi a de investir em um imóvel na planta, que oferece retorno entre 30% e 40% em média. As percepções divergiram significativamente. 13,3% discordaram totalmente da afirmativa, sendo 75% desses investidores experientes. No outro extremo, apenas 6,6% concordaram totalmente com a afirmativa, sendo 100% desses respondentes que fizeram até 3 investimentos em imóveis. 33,3% ficaram em dúvida sobre ser a compra de um imóvel na planta a opção mais rentável.
A estratégia de compra de um imóvel pronto para locação como opção mais segura foi a que obteve o maior índice de concordância entre as alternativas pesquisadas. 16,6% dos respondentes concordam totalmente com a afirmativa e 30% concordam moderadamente. Já a estratégia de compra de um imóvel para reformar e vender foi percebida com maior incerteza pelos respondentes. 43,3% deles concordaram moderada ou totalmente com a afirmativa. 20% dos respondentes discordaram moderada ou totalmente da afirmativa, dentre os quais 83,3% possui experiência com investimento em imóveis. Em uma tendência semelhante à estratégia anterior, os respondentes também percebem o investimento em imóveis retomados/leiloados como uma opção arriscada. Vale destacar que 20% discordam da afirmativa, sendo todos eles investidores com alguma experiência.
CONCLUSÕES
Em síntese, a pesquisa revelou aspectos relevantes da percepção dos respondentes sobre o contexto de investimento no atual cenário de juros baixos. As aplicações de renda fixa já não atendem mais, ao mesmo tempo que as de renda variável como a bolsa não são consideradas a melhor opção, evidenciando um perfil mais cauteloso de investimento.
O investimento em imóveis aponta-se como uma alternativa de tendência positiva, guiada por uma estratégia de longo prazo e proteção contra crises. Contudo, dada sua percepção de complexidade e dificuldade, demanda uma assessoria profissional para a consecução de bons negócios, com rentabilidade superior às disponibilizadas pelas aplicações de renda fixa.
Finalmente, quando apresentadas as estratégias de investimento em imóveis, observou-se a preferência pelo retorno da locação de um imóvel adquirido, que é mais conhecida. Entretanto, ficou evidenciada a necessidade de uma assessoria profissional também para bem informar os investidores sobre as diversas estratégias, suas nuances e boas práticas para assegurar o trinômio rentabilidade, liquidez e valorização em cada uma delas e casá-las com total aderência ao perfil de cada investidor.
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